Não, ela nunca foi feliz do jeito que você imaginou que deveria ser. Sim, ela rejeitou tudo o que lhe foi oferecido através da oferta e da gratidão. Talvez, sim talvez, ela tenha desistido do amor para estar perto da sua síntese e deste encontro permanecer fiel ao seu caráter desmedido de rancor e raiva. Exprime-se pelas esquinas com palavras corridas, faladas com os olhos desviados.Violenta-se com tons altivos, agressivos, desconfiados e histéricos a fim de calar sua fabilidade de mulher traída. Não resiste a esta afetividade inversamente despropositada dos conselhos da moralidade mais comum. Ela agarra-se em pedaços de pedras retiradas do seu coração fatiado para manter-se na superfície que lhe resta. Está cercada de moinhos que trituram, trituram e trituram os últimos suspiros guardados para o sono pesado do cansaço noturno. Cegou-se pelo movimento repetitivo da angústia e do medo que veio junto com a perda. Acende um cigarro e solta um bafo forte de alívio. Fuuuuuuuuuu! Ali na terceira sala do segundo hall de entrada, senta-se mas não consegue cruzar as pernas com a elegância de outrora. Está quase velha. Encurva-se para ouvir as vozes e os gestos eletrônicos que a anestesiam. Olha com atenção redobrada e desprega-se. Um capítulo a mais, uma lágrima recolhida, um abraço perdido. Saca do bolso um dobrão de prata e um pequeno alfinete de metal, herança da sua avó paterna. Fixa o pensamento e procura alguma lembrança que a faça sucumbir diante do desgaste que lhe recai. Deita com braços cruzados para dormir. Ressona. Volta a sonhar e a viver.
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