16 January, 2012



Entrou no banheiro. Parou em frente ao espelho. Fixou o olhar na sua imagem refletida. Reparou bem à volta dos olhos, na curva da sobrancelha e pensou: Decididamente, você não é um deles. E sabes bem o porquê. Cheiras tu mal e teu cabelo é despenteado. Tuas roupas são escusas. Teus cadarços, frouxos. Tua língua é embolada. Tua boca, podre. Teu pênis, flácido. És esforçado meu filho, eu sei. Mas não trata-se do seu esforço. Tal é sem efeito para os fins que se destinam. Ao menos irá chegar onde não cheguei. Não por falta de lugar, mas por anteceder todo o meu risco. Coragem não te coloca onde pensas tu estar. És descamisado. Tuas cores não combinam e não dão caimento. Tua forma desequilibra toda métrica. Não chegarás à sê-lo. De qualquer forma não deixe para trás seus motivos tão piedosos. Seja bom suficiente para não falhar ao teu compromisso. Resta dizer que tu não és nem grande nem melhor. Em nada. Antes de mais, és possuidor de uma timidez dissimulada. A falta de elegância faz de ti um ser de palavras traduzidas. E a abundância de acanho torna-te cada vez mais fugaz. Quanto mais acreditas tu no teu tirocínio, mais asnático te tornas. És uma farsa completa, sem preço, sem peso e sem alma. Viva a vida, sorte à miséria.

0 entorpecidos: